{"id":1018,"date":"2025-04-22T08:54:50","date_gmt":"2025-04-22T06:54:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.heritageandhistory.ch\/site\/?p=1018"},"modified":"2025-05-01T21:22:11","modified_gmt":"2025-05-01T19:22:11","slug":"judeus-nao-ficam-velhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.heritageandhistory.ch\/site\/pt\/posts\/judeus-nao-ficam-velhos\/","title":{"rendered":"Judeus n\u00e3o ficam velhos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes da pandemia, estive em Israel algumas vezes para pesquisar a exist\u00eancia de documentos que pudessem me ajudar a compor uma imagem mais completa da vida e da obra do Rabino Dr. Lemle no Brasil. J\u00e1 temos bastante material na ARI e com a fam\u00edlia Lemle, principalmente sobre sua atua\u00e7\u00e3o na Alemanha e na Inglaterra, seu pa\u00eds de origem e seu pa\u00eds de ex\u00edlio antes do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas estadias foram reveladoras para mim como pesquisador, edificantes como pessoa e determinantes para o meu relacionamento com Israel e seus cidad\u00e3os. Posso imaginar que todos passem por isso em algum momento da vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em uma dessas visitas aos arquivos da Universidade Hebraica de Jerusal\u00e9m, fiquei muito impressionado com a quantidade de homens de apar\u00eancia ortodoxa usando os computadores de acesso p\u00fablico no Sal\u00e3o da Universidade. Na ocasi\u00e3o, at\u00e9 expressei meu encantamento para a pesquisadora que me acompanhava: que tantos deles estavam interessados em cultura, ci\u00eancia, pesquisa, informa\u00e7\u00e3o num cen\u00e1rio n\u00e3o ortodoxo! Ing\u00eanuo eu! Ela logo me esclareceu que estavam ali olhando sites de pornografia! Internet aberta e gratuita, sem a restri\u00e7\u00e3o &#171;kasherizante&#187; ou interven\u00e7\u00e3o de seus rabinos cerceadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitas vezes, como cidad\u00e3os racionais, universais, humanit\u00e1rios e contempor\u00e2neos, indagamos sobre o celibato entre os cl\u00e9rigos cat\u00f3licos. Tema t\u00e3o sacudido na imprensa nos \u00faltimos anos, que levou o recentemente falecido Pont\u00edfice a discutir esse assunto, talvez contra muita press\u00e3o, em s\u00ednodos e reuni\u00f5es eclesi\u00e1sticas. Mas ser\u00e1 que nossa&nbsp;<em>Kashrut<\/em>&nbsp;n\u00e3o vai pelo mesmo caminho quando limitada ao ritual e n\u00e3o atrelada ao car\u00e1ter \u00e9tico, ou moral, do nosso comportamento?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Certamente como judeus reformistas que somos privilegiamos a \u00e9tica sobre o ritual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu realmente acredito nisso e no caminho da corre\u00e7\u00e3o, mais do que no da santidade. A corre\u00e7\u00e3o at\u00e9 reconhece o desvio e o conserta, ajusta, enquanto a santidade \u00e9 uma medida absoluta, muito pouco humana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Kasher<\/em>, no seu sentido menos \u00f3bvio, traduz-se como leg\u00edtimo, apropriado, correto, e pode ser o caminho para&nbsp;<em>Shalom<\/em>, que tamb\u00e9m no seu sentido menos popular significa plenitude, integralidade. Talvez mais do que o que ingerimos, mas como agimos, pode nos levar a este estado de contentamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Sho\u00e1 causou um severo dist\u00farbio geracional. Certamente em n\u00fameros, absolutos e relativos, mas tamb\u00e9m abalou nossa cren\u00e7a que o caminho da corre\u00e7\u00e3o leva a esta Shalom. A tentativa de nos aniquilar nos afastou, nos esparramou, nos diluiu for\u00e7osamente \u2013 queimaram nossos livros, assassinaram nossa gente, nos desumanizaram. Nesse dia de hoje, de tanta tristeza, em que devemos cutucar o mundo para n\u00e3o esquecer a Sho\u00e1, eu me assombro como aquele mecanismo cruel nos distanciou de uma exist\u00eancia judaica, um modo judaico de pensar e agir, de entender o mundo e interagir com ele e reagir a ele.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reduzimos a folclore e anedota a judeidade! Minha reflex\u00e3o hoje, especialmente para n\u00f3s reformistas, \u00e9 como recuperar a judeidade do pensar, do agir, do se relacionar, sem renunciar \u00e0 nossa vida cotidiana. Ou melhor, como trazer para nossa vida cotidiana nossa judeidade! Talvez seja a hora de retomar o desafio t\u00e3o bem resolvido pela Reforma do s\u00e9culo 18 e, posteriormente, pelos seus geniais rabinos e te\u00f3ricos nos \u00faltimos 250 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ser\u00e1 que na Di\u00e1spora seria bom voltarmos a ser paroquiais, ou seja, morarmos perto, termos imediato acesso a sinagogas e salas de estudo? Ser\u00e1 que s\u00f3 a geografia resolveria? Ser\u00e1 que assim vamos estar em paz com nossa judeidade ao ponto de querermos vivenci\u00e1-la no nosso cotidiano? Aproximarmo-nos seria talvez a melhor express\u00e3o da oferenda, do&nbsp;<em>korban<\/em>, que nos coloca perto, envolvidos e dedicados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ser\u00e1 que \u00e9 isso que nos encanta em Israel? Onde a dissolu\u00e7\u00e3o na sociedade n\u00e3o implica na dissolu\u00e7\u00e3o da nossa identidade? Seria a reconcilia\u00e7\u00e3o com o dia a dia judaico a melhor forma de reverenciar aquelas gera\u00e7\u00f5es de almas que foram arrancadas do nosso conv\u00edvio?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por mais que nos imputem, ou n\u00f3s mesmos nos consideremos, o povo da Hist\u00f3ria, do passado, das tradi\u00e7\u00f5es, eu acho que n\u00e3o somos! Somos o povo da Mem\u00f3ria. N\u00f3s depuramos o passado para que se torne o fiel companheiro com quem viajamos pelos s\u00e9culos, de m\u00e3os dadas. N\u00e3o porque n\u00e3o envelhe\u00e7a, mas porque n\u00f3s n\u00e3o envelhecemos. N\u00e3o h\u00e1 nada mais moderno e atual do que um Seder de Pessach num pa\u00eds tropical! N\u00e3o h\u00e1 nada mais vanguardista que celebrar a cria\u00e7\u00e3o do mundo, quando s\u00f3 se fala em destrui\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje \u00e9 Iom Hasho\u00e1 vehaGuevur\u00e1. Sho\u00e1 e Guevur\u00e1. No mesmo dia: Holocausto e Hero\u00edsmo, choramos e celebramos, admoestamos e nos orgulhamos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E \u00e9 assim mesmo. Assim \u00e9 a vida e, sobretudo, a vida judaica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Convido a todos que entrem no link divulgado no chat ou no Facebook e acendam uma vela por algu\u00e9m cuja vida tenha sido ceifada no Holocausto. Voc\u00ea pode assim honrar a mem\u00f3ria de pessoas que n\u00e3o t\u00eam um familiar vivo para record\u00e1-las. Recorde os seus e torne seu um desconhecido:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.illuminatethepast.org\/\">https:\/\/www.illuminatethepast.org<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes da pandemia, estive em Israel algumas vezes para pesquisar a exist\u00eancia de documentos que pudessem me ajudar a compor uma imagem mais completa da vida e da obra do Rabino Dr. Lemle no Brasil. J\u00e1 temos bastante material na ARI e com a fam\u00edlia Lemle, principalmente sobre sua atua\u00e7\u00e3o na Alemanha e na Inglaterra, seu pa\u00eds de origem e seu pa\u00eds de ex\u00edlio antes do Brasil. Essas estadias foram reveladoras para mim como pesquisador, edificantes como pessoa e determinantes para o meu relacionamento com Israel e seus cidad\u00e3os. Posso imaginar que todos passem por isso em algum momento da vida. 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