{"id":661,"date":"2024-07-25T12:52:24","date_gmt":"2024-07-25T10:52:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.heritageandhistory.ch\/site\/?p=661"},"modified":"2024-08-19T10:43:56","modified_gmt":"2024-08-19T08:43:56","slug":"quem-somos-neste-momento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.heritageandhistory.ch\/site\/pt\/posts\/quem-somos-neste-momento\/","title":{"rendered":"Quem somos neste momento?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A leitura da&nbsp;<em>parash\u00e1<\/em>&nbsp;desta semana,&nbsp;<em>Pinch\u00e1s<\/em>,&nbsp;chamou minha aten\u00e7\u00e3o para a&nbsp;dualidade moral&nbsp;e circunstancial&nbsp;do nosso julgamento:&nbsp;<em>Pinch\u00e1s&nbsp;<\/em>\u00e9 recompensado&nbsp;com a honra do sacerd\u00f3cio eterno para sua fam\u00edlia&nbsp;por um assassinato.&nbsp;No mundo de hoje,&nbsp;n\u00e3o conseguimos nos relacionar com esse fato.&nbsp;As filhas de&nbsp;Tselofchad&nbsp;s\u00e3o beneficiadas com a heran\u00e7a de seu pai. Elas procuram Mois\u00e9s que vai a Deus se consultar. E Deus acha justo que elas, na aus\u00eancia de um var\u00e3o, recebam a heran\u00e7a. Deus estabelece&nbsp;assim&nbsp;esta lei com que hoje conseguimos nos relacionar muito bem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um sinal de que nossa aproxima\u00e7\u00e3o&nbsp;ao&nbsp;texto da Tor\u00e1 est\u00e1&nbsp;atrelada&nbsp;ao nosso tempo e&nbsp;ao nosso&nbsp;espa\u00e7o. Um judeu que&nbsp;tenha lido&nbsp;esta parash\u00e1 no ano 230,&nbsp;em uma&nbsp;cultura machista e fechada, pode justo ter achado o oposto&nbsp;de n\u00f3s aqui hoje:, uma&nbsp;afronta&nbsp;o direito das filhas de&nbsp;<em>Tselofchad<\/em>&nbsp;e muito justa a \u201cpassada de m\u00e3o na cabe\u00e7a\u201d de&nbsp;<em>Pinch\u00e1s<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Intrigado, fui \u00e0&nbsp;<em>haftar\u00e1<\/em>.&nbsp;Geralmente de um profeta, a&nbsp;<em>haftar\u00e1<\/em>&nbsp;amarra&nbsp;a parash\u00e1 da semana, por uma conclus\u00e3o expl\u00edcita ou apenas pela men\u00e7\u00e3o de uma ou outra palavra&nbsp;que se relaciona ao texto.&nbsp;Para esta parash\u00e1, h\u00e1 a instru\u00e7\u00e3o de que, quando lemos&nbsp;<em>Pinch\u00e1s<\/em>&nbsp;ap\u00f3s o 17 de Tamuz, devemos ler a&nbsp;haftar\u00e1&nbsp;do livro de&nbsp;Jeremias&nbsp;(1:1-2:3).&nbsp;Em 17 de Tamuz, os babil\u00f4nios invadem o Reino de Jud\u00e1 e sitiam Jerusal\u00e9m. Eles ent\u00e3o&nbsp;rompem os muros da&nbsp;cidade e,&nbsp;em 9 do m\u00eas hebraico de&nbsp;Av&nbsp;(<em>Tish\u00e1&nbsp;Beav<\/em>), v\u00e3o destruir o Primeiro Templo&nbsp;e dar in\u00edcio ao grande ex\u00edlio&nbsp;dos israelitas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jeremias \u00e9 o profeta que anuncia&nbsp;essa&nbsp;grande trag\u00e9dia&nbsp;que&nbsp;se aproxima sobre o povo.&nbsp;Ou melhor, a palavra de Deus se manifesta&nbsp;pela&nbsp;boca do profeta.&nbsp;Jeremias se torna por isso tamb\u00e9m,&nbsp;como descrito em seu livro,&nbsp;<em>persona non&nbsp;grata<\/em>&nbsp;na elite de Jerusal\u00e9m.&nbsp;Jeremias, lido&nbsp;neste Shabat,&nbsp;\u00e9 um marco&nbsp;temporal\/hist\u00f3rico:&nbsp;\u00c9 no tempo de Jeremias que o Imp\u00e9rio Babil\u00f4nico invade Jerusal\u00e9m.&nbsp;Ele descreve os acontecimentos, tra\u00e7a paralelos entre causa e efeito, d\u00e1 ao leitor um plano geral do que estava acontecendo e do que est\u00e1 por vir naquela regi\u00e3o, ajuda a entender o que acontecia ali naquele momento.&nbsp;E&nbsp;\u00e9&nbsp;tamb\u00e9m&nbsp;um marco de&nbsp;Mem\u00f3ria:&nbsp;para&nbsp;al\u00e9m dos fatos, tanto a pessoa de Jeremias quanto a vulnerabilidade do povo s\u00e3o decantadas em possibilidades de reprodu\u00e7\u00e3o e experi\u00eancias m\u00faltiplas. O fato de o Primeiro e o Segundo Templos terem sido destru\u00eddos no mesmo dia n\u00e3o \u00e9&nbsp;simplesmente&nbsp;um fato,&nbsp;\u00e9 um instrumento da&nbsp;Mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O profeta n\u00e3o \u00e9 um adivinho, nem tem poderes m\u00e1gicos ou premonit\u00f3rios. Na tradi\u00e7\u00e3o&nbsp;judaica, o profeta \u00e9 inspirado ou afetado pela manifesta\u00e7\u00e3o do Deus \u00danico e Abstrato.&nbsp;Confrontado&nbsp;com a vulnerabilidade do povo de Israel,&nbsp;do seu afastamento&nbsp;da Alian\u00e7a com o Deus \u00danico e Abstrato,&nbsp;Jeremias&nbsp;vai a ele e, pela palavra, quer traz\u00ea-lo de volta ao caminho do Deus \u00danico e Abstrato.&nbsp;Mais do que uma interven\u00e7\u00e3o divina, as palavras&nbsp;de&nbsp;Jeremias aqui&nbsp;querem&nbsp;\u201cdar uma sacudida\u201d&nbsp;nas pessoas, que beiram&nbsp;at\u00e9&nbsp;uma incisiva&nbsp;interven\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em Jeremias&nbsp;7&nbsp;lemos: \u201cN\u00e3o v\u00eas o que praticam nas cidades de Jud\u00e1 e&nbsp;nas ruas de&nbsp;Jerusal\u00e9m? As crian\u00e7as recolhem lenha, os pais acendem o fogo e as mulheres amassam a farinha para oferecer bolachas para a rainha dos c\u00e9us e para derramar liba\u00e7\u00f5es a outros deuses,&nbsp;para Me provocar. Ser\u00e1 que&nbsp;eles Me&nbsp;provocam? \u2013 diz o Eterno. \u2013 Ou \u00e9 a si mesmos que provocam, para que suas faces se envergonhem?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais adiante, em Jeremias 9: \u201cEles retorcem suas&nbsp;l\u00ednguas&nbsp;qual arco, para disparar mentiras; fortaleceram-se na terra,&nbsp;por\u00e9m&nbsp;n\u00e3o&nbsp;pelo caminho da verdade; seguem de uma maldade a outra&nbsp;e Me&nbsp;desconhecem por completo \u2013 diz o Eterno. Que se cuide cada qual do seu&nbsp;pr\u00f3ximo, e em nenhum&nbsp;irm\u00e3o&nbsp;confie; porque enganar\u00e1 um&nbsp;irm\u00e3o&nbsp;ao outro e certamente divulgar\u00e1&nbsp;cal\u00fanias&nbsp;do seu&nbsp;pr\u00f3ximo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E em Jeremias 9:24, as palavras soam como uma senten\u00e7a: \u201c&nbsp;Aproximam-se os dias \u2013 diz o Eterno \u2013 em que punirei os que&nbsp;s\u00e3o&nbsp;circuncisos em seu corpo, mas&nbsp;n\u00e3o&nbsp;em seu&nbsp;cora\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dentro do esp\u00edrito que as&nbsp;pr\u00f3ximas&nbsp;tr\u00eas semanas&nbsp;at\u00e9 9 de&nbsp;Av&nbsp;nos imp\u00f5em&nbsp;e&nbsp;a partir do interc\u00e2mbio de ideias e viv\u00eancias,&nbsp;h\u00e1 muitos anos,&nbsp;com amigos, conhecidos&nbsp;e&nbsp;parentes que vivem&nbsp;em Israel, \u00e9 inevit\u00e1vel tra\u00e7ar paralelos entre hoje e o que Jeremias nos relata. N\u00e3o os fatos em si, mas&nbsp;no \u00e2mbito da&nbsp;Mem\u00f3ria. Atacados em 7 de outubro,&nbsp;todos pudemos (de perto e de longe)&nbsp;acessar um conjunto de&nbsp;elementos sensoriais,&nbsp;emocionais,&nbsp;heredit\u00e1rios&nbsp;e&nbsp;circunstanciais. Desde o s\u00e9culo 6 aEC, no tempo de Jeremias,&nbsp;n\u00f3s sabemos e sentimos o que \u00e9 ser invadido e ter nossas pessoas arrancadas de casa e levadas para um territ\u00f3rio inimigo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Voc\u00ea n\u00e3o pode derrotar o invis\u00edvel! Voc\u00ea pode matar pessoas, mas n\u00e3o o Deus que vive nelas. Voc\u00ea pode conquistar um povo, mas nunca seu esp\u00edrito<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 no meio da Primeira Guerra Mundial, servindo o ex\u00e9rcito austr\u00edaco, que o judeu austr\u00edaco Stefan Zweig, o&nbsp;escritor&nbsp;mais lido na primeira metade do s\u00e9culo 20,&nbsp;consolida&nbsp;de maneira indiscut\u00edvel sua&nbsp;postura pacifista. E ele vai buscar sua inspira\u00e7\u00e3o e express\u00e3o&nbsp;justo&nbsp;no profeta Jeremias, com seu roteiro para teatro \u201cJeremias, um poema dram\u00e1tico em nove atos\u201d, escrito entre 1915 e 1917,&nbsp;&nbsp;e encenado pela primeira vez em&nbsp;27 de fevereiro de&nbsp;1918, aqui&nbsp;no Teatro Municipal&nbsp;em Zurique.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pe\u00e7a&nbsp;\u201cJeremias\u201d&nbsp;reproduz, com textos do livro do profeta, a decad\u00eancia moral e \u00e9tica em que o povo estava metido naquele momento.&nbsp;Entretanto n\u00e3o \u00e9 uma obra deprimente. Tanto na pe\u00e7a como no livro do profeta, Jeremias \u00e9 claro que Deus vai proteger seu povo, vai redimi-lo se tomarem o caminho de retorno aos seus Mandamentos e ensinamentos, e vai conduzi-lo de volta \u00e0&nbsp;terra que deu aos seus ancestrais.&nbsp;A pe\u00e7a de teatro&nbsp;de Stefan Zweig termina com&nbsp;uma&nbsp;frase&nbsp;inspiradora:&nbsp;\u201cVoc\u00ea n\u00e3o pode derrotar o invis\u00edvel! Voc\u00ea pode matar pessoas, mas n\u00e3o o Deus que vive nelas. Voc\u00ea pode conquistar um povo, mas nunca seu esp\u00edrito.\u201d (\u201c<em>Man&nbsp;kann&nbsp;das&nbsp;Unsichtbare&nbsp;nicht&nbsp;besiegen! Man&nbsp;kann&nbsp;Menschen&nbsp;t\u00f6ten,&nbsp;aber&nbsp;nicht&nbsp;den&nbsp;Gott, der in&nbsp;ihnen&nbsp;lebt. Man&nbsp;kann&nbsp;ein&nbsp;Volk&nbsp;bezwingen,&nbsp;doch&nbsp;nie&nbsp;seinen&nbsp;Geist.<\/em>\u201d)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nossa&nbsp;gera\u00e7\u00e3o e as duas ou tr\u00eas \u00faltimas t\u00eam,&nbsp;ao mesmo tempo,&nbsp;o privil\u00e9gio hist\u00f3rico da Terra Prometida e o peso circunstancial&nbsp;do ex\u00edlio,&nbsp;da di\u00e1spora. O drama de consci\u00eancia surgido com o restabelecimento de Israel, n\u00e3o mais uma terra ideal e distante, mas um estado moderno e&nbsp;pujante, pode ter&nbsp;levado&nbsp;a um esgar\u00e7amento de nossa&nbsp;capacidade humana de lidar com o paradoxo.&nbsp;O \u00edmpeto dos&nbsp;<em>chalutsim<\/em>&nbsp;(pioneiros)&nbsp;ou&nbsp;a urg\u00eancia dos&nbsp;sobreviventes do Holocausto ou&nbsp;dos fugitivos dos pa\u00edses \u00e1rabes&nbsp;sustentaram o projeto&nbsp;\u201cIsrael\u201d&nbsp;por d\u00e9cadas. E agora? Israel \u00e9 o lar do judeu e da judia do s\u00e9culo 21? Israel reflete nossos anseios? Quem molda essa terra, cada vez menos&nbsp;hist\u00f3rica e&nbsp;prometida,&nbsp;e cada vez mais&nbsp;moderna e&nbsp;comprometida?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9&nbsp;na autobiografia&nbsp;de Stefan Zweig&nbsp;\u201cNo mundo de ontem\u201d de 1942 que o jornalista, escritor e tradutor&nbsp;romeno-brasileiro&nbsp;Nelson&nbsp;Vainer&nbsp;(1910-1997)&nbsp;encontra as palavras certas para o livro&nbsp;que editou&nbsp;em mem\u00f3ria do cinquenten\u00e1rio de falecimento de Theodor&nbsp;Herzl, publicado no Rio&nbsp;de Janeiro&nbsp;em 1954,&nbsp;pela Organiza\u00e7\u00e3o Sionista Unificada.&nbsp;Sua escolha n\u00e3o foi em nada fortuita.&nbsp;Stefan Zweig escreve:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cQuando&nbsp;\u2018O Estado Judeu\u2019&nbsp;\u2014-&nbsp;essa brochura pequena, por\u00e9m provida da for\u00e7a de uma seta de a\u00e7o em voo \u2014 apareceu, eu ainda estava no gin\u00e1sio, mas&nbsp;me&nbsp;recordo bem da perplexidade e indigna\u00e7\u00e3o gerais que causou nos c\u00edrculos burgueses judaicos de Viena.&nbsp;O que \u2014 perguntavam amuados&nbsp;esses judeus&nbsp;\u2014 se meteu na cabe\u00e7a desse escritor, de ordin\u00e1rio t\u00e3o sensato, engra\u00e7ado e culto? Que loucuras anda&nbsp;ele praticando e escrevendo? Por que raz\u00e3o devemos ir para a Palestina? Nosso idioma \u00e9 o alem\u00e3o e n\u00e3o o hebraico; nossa p\u00e1tria \u00e9 a bela \u00c1ustria. N\u00e3o estamos&nbsp;muito bem&nbsp;sob o governo do bom imperador Francisco Jos\u00e9? N\u00e3o temos nossa conveniente prosperidade, nossa situa\u00e7\u00e3o segura? N\u00e3o somos cidad\u00e3os do Estado com direitos iguais aos demais? N\u00e3o somos cidad\u00e3os domiciliados e dedicados desta Viena querida? N\u00e3o vivemos numa \u00e9poca progressista, que em alguns anos h\u00e1&nbsp;de p\u00f4r de lado todos os preconceitos religiosos? Por que&nbsp;ele, que fala como judeu e quer auxiliar o juda\u00edsmo, fornece argumentos aos nossos piores inimigos e tenta&nbsp;nos&nbsp;segregar, quando cada dia nos une mais estreita e intimamente ao mundo alem\u00e3o?&nbsp;Os rabinos exaltaram-se nos p\u00falpitos; o diretor do peri\u00f3dico \u201cA Nova&nbsp;Imprensa Livre\u201d (<em>Neue&nbsp;Freie Presse<\/em>)&nbsp;proibiu que em seu jornal &#171;progressista&#187; se mencionasse sequer a palavra&nbsp;<em>sionismo<\/em>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Stefan Zweig&nbsp;encontra palavras certeiras e conciliadoras para Herzl: \u201cNo primeiro momento,&nbsp;Herzl&nbsp;p\u00f4de&nbsp;se&nbsp;sentir mal compreendido; Viena, onde&nbsp;ele \u2013&nbsp;dada a estima que nela gozava havia muitos anos \u2013 se julgava mais seguro, o abandonara ou at\u00e9 se ria dele. Mas, em seguida, retumbou subitamente a resposta com tal viol\u00eancia e \u00eaxtase que&nbsp;ele quase se assustou: com algumas d\u00fazias de p\u00e1ginas,&nbsp;havia provocado no mundo um movimento t\u00e3o poderoso e de t\u00e3o grande irradia\u00e7\u00e3o! A resposta, sem d\u00favida, n\u00e3o partiu dos judeus burgueses do Ocidente, que viviam comodamente e tinham boa situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, mas das enormes massas judaicas do&nbsp;Leste, do proletariado dos guetos da Gal\u00edcia, da Pol\u00f4nia e da R\u00fassia. Sem pressentir,&nbsp;Herzl,&nbsp;com sua brochura, inflamou o n\u00facleo do juda\u00edsmo, que ardia sob as cinzas do estrangeiro, com o milenar sonho messi\u00e2nico da promessa, confirmada nos Livros Sagrados, do regresso \u00e0 Terra da&nbsp;Promessa \u2013 essa esperan\u00e7a e, ao mesmo tempo, certeza religiosa \u2013 os \u00fanicos sentimentos que ainda tornavam a vida \u00fatil para&nbsp;aqueles milh\u00f5es de entes espezinhados e escravizados.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pref\u00e1cio da publica\u00e7\u00e3o termina com&nbsp;Zweig&nbsp;revelando sua admira\u00e7\u00e3o por&nbsp;Herzl&nbsp;e sua intimidade com o juda\u00edsmo: \u201cSempre que um indiv\u00edduo, profeta ou impostor, nos dois mil anos da maldi\u00e7\u00e3o que pesa sobre o povo judeu, tangeu a corda, a alma de todo&nbsp;esse povo vibrou, por\u00e9m nunca com resson\u00e2ncia t\u00e3o ruidosa, t\u00e3o&nbsp;retumbante.&nbsp;Com algumas d\u00fazias de p\u00e1ginas, um s\u00f3 homem havia transformado uma massa dispersa e desunida, em uma unidade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E eu volto a me perguntar nessas tr\u00eas semanas em que estamos&nbsp;t\u00e3o vulner\u00e1veis:&nbsp;E agora? Israel \u00e9 o lar do judeu e da judia do s\u00e9culo 21? Israel reflete nossos anseios? Quem molda essa terra, cada vez menos hist\u00f3rica e prometida, e cada vez mais moderna e comprometida? Como lidar com o paradoxo?&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A leitura da&nbsp;parash\u00e1&nbsp;desta semana,&nbsp;Pinch\u00e1s,&nbsp;chamou minha aten\u00e7\u00e3o para a&nbsp;dualidade moral&nbsp;e circunstancial&nbsp;do nosso julgamento:&nbsp;Pinch\u00e1s&nbsp;\u00e9 recompensado&nbsp;com a honra do sacerd\u00f3cio eterno para sua fam\u00edlia&nbsp;por um assassinato.&nbsp;No mundo de hoje,&nbsp;n\u00e3o conseguimos nos relacionar com esse fato.&nbsp;As filhas de&nbsp;Tselofchad&nbsp;s\u00e3o beneficiadas com a heran\u00e7a de seu pai. Elas procuram Mois\u00e9s que vai a Deus se consultar. E Deus acha justo que elas, na aus\u00eancia de um var\u00e3o, recebam a heran\u00e7a. Deus estabelece&nbsp;assim&nbsp;esta lei com que hoje conseguimos nos relacionar muito bem. Um sinal de que nossa aproxima\u00e7\u00e3o&nbsp;ao&nbsp;texto da Tor\u00e1 est\u00e1&nbsp;atrelada&nbsp;ao nosso tempo e&nbsp;ao nosso&nbsp;espa\u00e7o. Um judeu que&nbsp;tenha lido&nbsp;esta parash\u00e1 no ano 230,&nbsp;em uma&nbsp;cultura machista e fechada, pode justo ter achado o oposto&nbsp;de n\u00f3s aqui hoje:, uma&nbsp;afronta&nbsp;o direito das filhas de&nbsp;Tselofchad&nbsp;e muito justa a \u201cpassada de m\u00e3o na cabe\u00e7a\u201d de&nbsp;Pinch\u00e1s. Intrigado, fui \u00e0&nbsp;haftar\u00e1.&nbsp;Geralmente de um profeta, a&nbsp;haftar\u00e1&nbsp;amarra&nbsp;a parash\u00e1 da semana, por uma conclus\u00e3o expl\u00edcita ou apenas pela men\u00e7\u00e3o de uma ou outra palavra&nbsp;que se relaciona ao texto.&nbsp;Para&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":652,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[122,132,156,140,207],"class_list":["post-661","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-posts","tag-estudos-judaicos","tag-etica-judaica","tag-festas-judaicas","tag-lei-judaica","tag-moderno-estado-de-israel"],"acf":{"photo_gallery":{"slideshow":[[{"id":648,"title":"jeremias_jerusalem","caption":"Jeremias, Zeichnung von Sefira Lightstone","full_image_url":"https:\/\/www.heritageandhistory.ch\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/jeremias_jerusalem.jpeg","thumbnail_image_url":"https:\/\/www.heritageandhistory.ch\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/jeremias_jerusalem-150x150.jpeg","large_srcset":"https:\/\/www.heritageandhistory.ch\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/jeremias_jerusalem.jpeg 500w, https:\/\/www.heritageandhistory.ch\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/jeremias_jerusalem-300x180.jpeg 300w","medium_srcset":"https:\/\/www.heritageandhistory.ch\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/jeremias_jerusalem-300x180.jpeg 300w, https:\/\/www.heritageandhistory.ch\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/jeremias_jerusalem.jpeg 500w","media_details":{"width":500,"height":300,"sizes":{"medium":{"file":"jeremias_jerusalem-300x180.jpeg","width":300,"height":180,"mime-type":"image\/jpeg","filesize":9823,"source_url":"https:\/\/www.heritageandhistory.ch\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/jeremias_jerusalem-300x180.jpeg"},"thumbnail":{"file":"jeremias_jerusalem-150x150.jpeg","width":150,"height":150,"mime-type":"image\/jpeg","filesize":4444,"source_url":"https:\/\/www.heritageandhistory.ch\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/jeremias_jerusalem-150x150.jpeg"}}},"alt_text":"","url":"","target":""}]]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.heritageandhistory.ch\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/661","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.heritageandhistory.ch\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.heritageandhistory.ch\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.heritageandhistory.ch\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.heritageandhistory.ch\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=661"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.heritageandhistory.ch\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/661\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":920,"href":"https:\/\/www.heritageandhistory.ch\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/661\/revisions\/920"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.heritageandhistory.ch\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/652"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.heritageandhistory.ch\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=661"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.heritageandhistory.ch\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=661"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.heritageandhistory.ch\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=661"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}